Como todo jogo ou brincadeira, os RPGs possuem regras, criadas para manter alguma verossimilhança, mesmo que a Ambientação seja completamente inventada. Os jogadores interpretam papéis e devem reagir às situações criadas pelo Narrador como seus Personagens o fariam, e não como eles mesmos. A médica especialista em cardiologia não pode pilotar um F15 Eagle, assim como o piloto de caça não é capaz de conduzir uma cirurgia de peito aberto.
As regras transformam características abstratas — como força, inteligência, habilidades e conhecimentos — em números que podem ser facilmente manipulados. As situações propostas pelo Narrador são resolvidas pela interpretação dos Jogadores, dentro dos limites impostos pelos valores atribuídos às características dos Personagens. Por exemplo, uma vez que o Personagem Janjão tem apenas um ponto no Atributo Inteligência (numa escala de um a seis), certamente ele não seria capaz de deduzir o intrincado plano de dominação do General Marcondes, embora Adriana, a Jogadora que o interpreta, tenha percebido tudo há muito tempo.
Um conjunto de regras razoável, ao qual de agora em diante chamaremos de Sistema, precisa estipular as diretrizes para a criação dos personagens e estabelecer mecanismos para a resolução de:
1) ações que estão muito além (ou aquém) das capacidades reais dos jogadores;
2) confrontos entre personagens.
O Sistema também precisa garantir uma certa imparcialidade por parte do Narrador, para que certos Personagens não sejam favorecidos em detrimento de outros no decorrer da história. Essa imparcialidade é obtida introduzindo-se um fator aleatório no jogo. Em vez de decidir arbitrariamente que a ação declarada pelo Jogador teve êxito ou fracassou, o Narrador pede um Teste. Em geral, esse Teste exige o lançamento de Dados. Para dar apenas um exemplo da lógica por trás do uso dos Dados, imagine dois Personagens disputando qual deles conseguiria erguer um peso de meia tonelada. Um deles tem o físico de um Mr. Universo e o outro é só uma rapazola franzino. O Narrador decide se os Personagens terão ou não sucesso comparando os resultados obtidos pelos Jogadores com o lançamento de um Dado de seis faces (1D6). A probabilidade de o Personagem mais forte erguer o peso é obviamente muito maior do que a do Personagem mais fraco de executar o mesmo feito. Portanto, o Narrador estabelece que para ter Sucesso em sua Ação, o “fortão” precisaria obter 4, 3, 2 ou 1 ao jogar 1D6 (quatro chances em seis). O rapazinho só conseguiria erguer tamanho peso se tivesse muita, mas muita sorte, ou seja, em termos de jogo ele precisaria obter 1 ao jogar 1D6 (apenas uma chance em seis).
Existem sistemas criados especificamente para atender às demandas de determinadas Ambientações, e praticamente só dão bons resultados dentro dos limites do universo para o qual foram criados. No entanto, alguns Sistemas são genéricos o suficiente para serem adaptados a todos os tipos de cenário. Os sistemas também diferem quanto ao nível de detalhe que atingem na tentativa de simular a vida real. Alguns são tão complexos que chegam a considerar a velocidade do vento para calcular a direção tomada por um projétil. Outros procuram estabelecer regras mais práticas, destinadas a resolver somente as situações mais comuns e importantes. Os sistemas mais comuns no Brasil, e também no mundo, são d20 system, Storyteller/Storytelling e GURPS.
>Conheça alguns Sistemas de Regras. |