A experiência que passa de pessoa a pessoa é a fonte a que recorreram todos os narradores. E, entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos.
— Walter Benjamim. O Narrador. 1936.
O ser humano tem uma constante necessidade de ficção e fantasia. Procuramos satisfazer essa necessidade de várias maneiras: criando e contando anedotas, contos populares, lendas e mitos; usufruindo da literatura impressa em todas as suas formas, da telenovela, da história em quadrinhos e do cinema. Ao longo do século XX, algumas dessas formas de ficção ganharam mais proeminência do que outras, e hoje, numa época em que impera a avidez pela informação rápida e nem sempre precisa, a tradição oral, responsável pela criação e divulgação de histórias, parece esquecida.
Role-Playing Game é uma forma de ficção. É um ato coletivo de criação de narrativas orais; é a arte de contar histórias, recuperada, revisitada e adaptada ao gosto moderno. É o resgate da tradição oral e da troca espontânea de experiências.
RPG é uma brincadeira de faz-de-conta que pode envolver um número extremamente variável de participantes, das mais variadas faixas etárias. Numa sessão de RPG, um dos participantes torna-se o Narrador, aquele que dá início à historia, estabelece o tema, o cenário e as situações mais importantes. Os demais participantes interpretam os Personagens principais, os heróis e as heroínas, e desempenham papel ativo na história conduzida pelo Narrador. Portanto, uma sessão de RPG transforma-se numa atividade cooperativa em que todos os participantes colaboram na criação de uma narrativa oral de caráter épico.Entre os aficionados, é costume dizer que a melhor maneira de entender a dinâmica de uma brincadeira como essa é brincando. Convidamos você a experimentar um exemplo e, em seguida, descobrir os principais elementos e termos do jogo. |